lunatic-shawty:
“lunatic-shawty
”

lunatic-shawty:

lunatic-shawty

(via fafra)

Uma preta velha me disse: bota um pau de canela n’um copo com água, acende uma vela amarela, e coloca no lugar mais bonito da sua casa. “Vai trazer alegria”. Disse também que já havia notado minha presença ali desde que eu havia chegado, e que aquele cenho franzido fazia um contraste muito grande com os sorrisos que eu costumava trazer. 

Há muito tempo eu não sentia a fé. Um monte de acúmulos secos. Muito tempo e eu não sentia eu. Buscava o impacto. Abrupto e certeiro no estômago, para sentir descer a saliva. A raiva. Muito tempo e eu estava cercado de fantasmas que não calam nunca a porra da boca. Que falam sempre, o tempo inteiro. Coisas incompreensíveis e inúteis. Falam do passado, e de medos que eu já nem sei o nome, mas me lembro, assim como o frio muito forte me faz lembrar de uma solidão primeira.

Muito tempo correndo e agora que a rasteira me alcançou meu coração e o meu cu estão doendo. São meus e não estão comigo. Meus e tomaram de empréstimo. Eu mesmo a pagar os juros. A pagar os pesos, apagar os rastros. Meus e meus papéis no chão. Meus e eu desconhecido e desconhecendo. Cada dia menos. Meus e eu alheio, partido no meio do soco, cuspindo pedaços do estômago na terra.

Por ser uma casa linda, o lugar mais bonito era quase impossível. Mas então o banheiro imundo foi lavado e no espelho eu descobri. Minha vela está acesa.

Atolado. Enlutado. Doente e alheio. Diabo no corpo. Ponta lançada. Arqueio menor. Pontes palatinas. Platina polida. Cidade. Pedaço de nada. O vento assovia pelos meus furos. Eu até sei cantar mas prefiro não. Tem um homem me seguindo. Ele tem o meu peso e a minha sombra. Ele fala através de mim. A pressa do corpo. Impulsões convulsivantes. Silêncio. Toda vez que o sol se põe, põe-se em mim uma espécie de saudade e de medo. A criança que eu fui ainda chora. Assustada. assustada. assustada. assustada. Alguém deixou alguma porta aberta, e a julgar que sou eu o guardião das chaves, fui eu o alguém deixado. Eu prefiro não… sabe como é? Contar tudo. Tem coisa que a gente mastiga o tempo inteiro e não consegue engolir. O corpo da gente é a gente. O corpo da gente sofre. Tem sofrido. A gente, os nós. Há muito o cheiro de sangue no meu país tornou-se mais forte, não sei se porque abriram-se-me as narinas, ou porque o sangue também era o meu. Vertigem. Tem sempre uma história muito triste para se contar, e ela é tão longa… Monumento. Territorialização. Pau-de-arara. Ponta verde. Palácios entupidos. O arrombo. Oculto. O lado de dentro. Alimento. Catálise. Humores infernais. Há diques com águas antigas e pesadas. Mórula estatal. Trufas. Não é preciso nada. Trocas amenas. Desculpas. Morro da palavra. Ponto.

annalynnhammond:
“ Deus ex Natura
Paper collage by Annalynn Hammond
”

annalynnhammond:

Deus ex Natura

Paper collage by Annalynn Hammond

(via plygrnd-deactivated20221107)

razorshapes:
“Diesel F/W 2008
”